sábado, 29 de janeiro de 2011

Maquinista e o passageiro

Olhando pela janela tenho a impressão de um caminho sem fim...mas logo me recordo das estações.
Olhando pela janela percebo o anonimato...quantas pessoas!Ao mesmo tempo nenhuma!
Sinto o cheiro forte dos freios, os insetos, a poltrona nada confortável e penso na noite escura que virá.
Sinto que estou só, porém feliz!
O farol não significa nada...a noite na mata me causa certo medo, mas sou corajoso. Acredito no maquinista.
O farol continua acesso, mas pouco ilumina...vejo muito pouco
O pandemônio dos trilhos, freio e solavancos me acalmam...a viagem continua.
O pandemônio das pessoas me assusta...a viagem continua. 
As horas não passam... 
Uma estação se aproxima, mas não devo descer, afirma meu pai.
As horas não passam...
Outra estação se aproxima, apenas assisto o leve sorriso.
Vejo as janelas e observo alguém.
Agora sim sou um anônimo. 


Artur
Free Stock Photo of Train

3 comentários:

Mariza disse...

Realmente Arthur somos todos anônimos nesta longa viagem q se chama vida... Um viagem longa para uns e curtas para outras, em cada estação novas pessoas e novas histórias, mas o mais importante da vida e poder curtir cada uma pedaço caminho e mesmo no anonimato fazer a diferença... bjoks

EAD/JOYCE disse...

Gosto demais de suas reflexões, sua angústia (?) pelo passar do tempo, gosta da Virgínia Woolf e do Proust? são semelhantes nesse aspecto.bjs

Lu [ciana] disse...

'(...)penso na noite escura que virá.
Sinto que estou só... As horas não passam...'

Confesso que estou buscando o ritmo certo de tuas palavras para, então, comentar.
Mas está dificil.
Enquanto minhas cantam ciranda e as tuas tem contorno blasé.

Não vou me arriscar.

Não arriscarei porque sei que é impossível interpretar coração de quem escreve,
este parece ser feito sempre de reticências e três punhados de mistério,
mas enquanto leio, passo pelo caminho e encontro algumas de suas palavras despejadas sob os trilhos em noite escura e agora, depois de lidas, são um pouco minhas também.